"All you need is love",
sim
Mas amor não é tudo o que tenho.
Também tenho muita raiva
nesse meu peito que grita
de fome
de dor.
Também tenho muita insatisfação
nessa boca calada
nesses olhos atados
nesse corpo aprisionado.
Tenho no peito muito amor
e muito ódio também.
Mas essa gente vai sentir...
Quando explodi-los no peito
- com uma bomba de fogo,
quiçá mesmo de amor-
e me matar
de tanto rir.
Juntos, um homem e a brisa viram uma página. - Betty Drevniok
terça-feira, 11 de junho de 2013
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Reforma
- E com quem vou reclamar quando você não couber na caixinha em que te coloquei?
- Aí você reforma.
- Reformar?
- É, a caixinha.
- Impossível! Antes reformo você.
- Não é impossível. Tenho tudo o que precisamos aqui: prego, madeira, martelo...
Anda, serra essa parte aqui.
- Da direita?
- A ponta da esquerda...
- Mas sua esquerda é minha parte preferida!
- Acontece que tem uma lasca, veja... daqui a pouco desmorona.
- Então colo com fita crepe
cola quente
pedaço de retalho
gesso
- Meu bem, pensei que você já sabia que essa esquerda sequer existe.
...
- Me empresta o serrote aqui. - e serrou a língua pra fora da caixa.
- Aí você reforma.
- Reformar?
- É, a caixinha.
- Impossível! Antes reformo você.
- Não é impossível. Tenho tudo o que precisamos aqui: prego, madeira, martelo...
Anda, serra essa parte aqui.
- Da direita?
- A ponta da esquerda...
- Mas sua esquerda é minha parte preferida!
- Acontece que tem uma lasca, veja... daqui a pouco desmorona.
- Então colo com fita crepe
cola quente
pedaço de retalho
gesso
- Meu bem, pensei que você já sabia que essa esquerda sequer existe.
...
- Me empresta o serrote aqui. - e serrou a língua pra fora da caixa.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Uma pausa, por favor
A gente dividiu um cigarro uma vez.
Estava um frio, uma garoinha fina... sua voz mansa, num passo apressado, me pediu um cigarro.
Sentou-se ao meu lado, me ofereceu erva.
Acho que ficamos por uns 20 minutos falando sobre coisas banais.
Mas ela era tão linda que eu tinha vontade de ficar parada
olhando pra ela.
Como quando nos tornamos crianças e observamos o vermelho pela primeira vez.
Não me lembro como foi a primeira vez que vi o vermelho ou outra cor, mas imagino que deve ter sido assim
como mergulhar no doce mar de mariana.
Também não sei mergulhar, mas comparo à sensação de observar mariana:
com fumaça de cigarro que amarga a boca
e escorre deliciosamente pelos lábios vãos.
Estava um frio, uma garoinha fina... sua voz mansa, num passo apressado, me pediu um cigarro.
Sentou-se ao meu lado, me ofereceu erva.
Acho que ficamos por uns 20 minutos falando sobre coisas banais.
Mas ela era tão linda que eu tinha vontade de ficar parada
olhando pra ela.
Como quando nos tornamos crianças e observamos o vermelho pela primeira vez.
Não me lembro como foi a primeira vez que vi o vermelho ou outra cor, mas imagino que deve ter sido assim
como mergulhar no doce mar de mariana.
Também não sei mergulhar, mas comparo à sensação de observar mariana:
com fumaça de cigarro que amarga a boca
e escorre deliciosamente pelos lábios vãos.
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