sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Nos Campos de Santo José

Tem um eu meu aqui
que não é mais os eus de agora
um eu que perturba
que assombra
que me apavora

Quando a noite chega leve
E o vento forte assopra,
sentada sozinha na sala
sinto o eu que por aqui mora

sinto o eu seguro, enraizado
que me vem à lembrança na música que toca
um eu tão inteiro
em contra-ponto ao eu fracionado de agora
um eu tão inteiro
ao contrário do vazio dos eus de agora

Quando sento de leve na sala
me assombra o eu que aqui mora
Sinto o vento da noite
Deixando claro os eus agora.

2 comentários:

  1. ai ai me arrepiou. suportar o próprio reflexo no espelho pode ser assustador.
    lembrei de um trecho "(...) Eu sou muitos. Mas, com o ser muitos, sou muitos em fluidez e imprecisão." - Fernando Pessoa, in 'Reflexões Pessoais (1930)

    brisa, beijos e beijos melados.

    gosto muito do que você escreve.

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